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Sexta, 31 Outubro 2014
Rodolfo Rodríguez. “Fui uma das unhas e saí arranhado” PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 21 Janeiro 2012 18:41

120121_rodolfoO guarda-redes uruguaio do Sporting em 1988/89 fez ontem 56 anos e apanhámo-lo de férias com a família nos EUA

 

Um metro e 91 de altura, 90 quilos. Um bigode mais intimidante que sei lá o quê e cara de mau. Se houvesse mais uma sequela do “Rocky”, este perfil podia perfeitamente adaptar-se ao adversário de Sylvester Stallone, mas não, é tão-somente o guarda-redes uruguaio Rodolfo Rodríguez. Lembra-se dele? É uma das unhas de Jorge Gonçalves. Para fazer esquecer o desastroso quarto lugar da época 1987-88, o presidente Jorge Gonçalves promove outra limpeza de balneário no Verão. Desta vez aterram em Alvalade nomes conceituados, como Rodolfo Rodríguez, mais os outros sul-americanos, Ricardo Rocha, defesa-central da selecção brasileira, Silas, outro titular da canarinha, e o “motor” Douglas, a par do portuguesíssimo Carlos Manuel, dispensado pelo Benfica e contratado ao Sion (Suíça), e o sueco Eskilsson. O treinador é Pedro Rocha, uruguaio como Rodríguez.

Começa a época e o Sporting não sofre golos nos primeiros 492 minutos do campeonato (pelo meio há o 4-2 ao Ajax para a Taça UEFA). Na baliza está Rodolfo Rodríguez a encher a baliza, mas depois o Sporting entra surpreendentemente (ou não...) em processo de autodestruição. Porque o nome de Pedro Rocha só surge depois de Manuel José ter sido vetado por dirigentes e um abaixo-assinado com 6 mil rubricas de sócios. Mas em Novembro, antes do Natal, portanto, o Sporting perde o contacto com o líder, o FC Porto, com uma derrota em Guimarães, golo de Silvinho, ex-Sporting! Três dias depois é afastado da Europa pela Real Sociedad do guarda-redes Arconada e do estratego Bakero. Mais uns quantos resultados negativos (Ac. Viseu 2-2, Marítimo 2-2, Farense 0-1, Belenenses 0-0, FC Porto 1-2) precipitam o adeus de Pedro Rocha. E o substituto é... Manuel José, o tal proscrito por sócios e dirigentes no início da época! Com o algarvio à frente da equipa nada muda e Rodríguez também não se impõe na baliza, entregue a três candidatos, entre o uruguaio, Damas e Vital.

 

Boa noite, é o Rodolfo Rodríguez?

Sim, sou eu. Falas de onde?

De Portugal.

Ah, muy bien. Estou nos EUA, de férias.

Mas podemos falar uns minutos?

Claro, mas primeiro faço eu as perguntas, ok?

Força!

O Sporting, como vai? Tenho estado pouco atento ao futebol em geral.

Está em terceiro lugar e joga este sábado com o FC Porto.

Ui, a sério? Bueno, bueno... Que tenga suerte.

O Rodolfo não jogou nenhum clássico, pois não?

Não, não fui abençoado a esse ponto. Lembro-me que perdemos os dois: 2-1 em Alvalade, 3-0 nas Antas. Fui suplente do Vital.

E o Damas?

Disso não me lembro. Mas devia. Era meu vizinho, e grande amigo. Nos treinos ajudou-me muito. Bolas, era o Damas! Todos conheciam o Damas. Era uma figura.

Se era assim uma figura, a sua transferência para o Sporting foi um risco?

Nãããão, soou mais a primeira e única experiência na Europa, depois de muitos anos no Uruguai e outros tantos no Brasil.

No Uruguai foi campeão de tudo, não foi? Até na selecção.

Foram anos emocionantes, inesquecíveis, porque era novíssimo e lidei com variadíssimas alegrias. Naquela altura era impensável ganhar aquilo tudo. Repara, fui campeão sul-americano sub-20 em 1975. Dois anos depois sou campeão uruguaio pelo Nacional Montevideo. Em 1980 sou campeão sul-americano e mundial de clubes.

Essa final da Taça Intercontinental foi com quem?

Nottingham Forest. O guarda-redes deles era o Peter Shilton, titular da Inglaterra. Mas nós ganhámos 1-0, golo de Victorino, o mesmo herói da final da Libertadores, com o Internacional de Porto Alegre. Era um equipazo, um grupo muy lindo.

Ficou lá até quando?

1984. Aí transferi-me para o Santos do Pelé... mas sem o Pelé [risos comedidos; a sua transferência vale 120 mil dólares, um valor altíssimo para a época]. Eles já andavam atrás de mim há algum tempo por aquela exibição no Uruguai-Brasil para o Mundialito-80. Ganhámos 2-1.

Não me vai dizer Victorino outra vez, pois não?

Bueno, tenho de ser sério, não é? [Forte gargalhada.] Foi ele mesmo que marcou o 2-1. O Sócrates marcou-me de penálti mas o Victorino desempatou e foi uma festa tremenda. Era o Mundialito, não era um particular qualquer.

O Mundialito?

Sim, uma prova organizada pela FIFA com todos os campeões do mundo. Só faltou à chamada a Inglaterra, substituída pela Holanda. Ganhámos à Holanda e à Itália e apurámo-nos para a final, em Montevideo. Lá, 2-1 ao Brasil.

Daí o interesse do Santos, dizia...

Calma. Em 1983 ganhámos a Copa América ao Brasil. Em casa, 2-0. Na Bahia, 1-1. Como se dizia lá no Brasil, eu fechei a baliza e o Santos interessou-se por mim.

Um uruguaio no Brasil, como foi?

Espectacular, glorioso. Fui campeão paulista no ano de estreia.

E aquela série de defesas que o notabilizaram como um dos quatro melhores jogadores de sempre do Santos?

Ahhhh, isso foi nesse Paulista, com o América de Rio Preto. Fiz cinco defesas consecutivas, sem sair do chão. Até sei o dia de cor e salteado: 14 de Julho, na Vila Belmiro [o avançado Tarcísio, do Américo, declara, estupefacto: Rodolfo é maior que a baliza].

Já voltou à Vila Belmiro depois disso?

Claro que sim. Há dois anos fui lá receber a primeira Defesa de Placa.

Espere aí, como no golo de placa inaugurado pelo Pelé?

Isso, isso. Aquela defesa com o América de Rio Preto valeu-me a Defesa de Placa. Além disso, fui eleito um dos quatro melhores jogadores de sempre do Santos, por votação popular [da fundação até 1950, Patuska; de 1951 a 1970, Pelé; de 1971 a 1990, Rodolfo Rodríguez; de 1990 até hoje, Robinho]. Estou exposto na estação de metro Santos-Imigrantes. É óptimo.

Do Santos para o Sporting porquê?

O Sporting estava interessado em montar uma equipa que contrariasse o domínio de Benfica e FC Porto e apoiou-se na escola sul-americana. Ainda por cima, todos os jogadores eram do mesmo empresário, o Juan Figger. Eu, o Ricardo Rocha, o Douglas e o Silas.

Como foi a chegada a Portugal?

É um país tão lindo e tranquilo... Dá gosto viver aí, mas aquelas estradas... Dios mío. Agora está muito melhor.

Já veio cá recentemente?

Sim, e estive com o Carlos Xavier. As boas amizades não se perdem.

Quantos amigos tem mais naquele balneário?

Lembro-me de Damas, Carlos Manuel, Morato, Oceano, Mário Jorge, Fernando Mendes, Paulinho Cascavel e aquele do Vitória de Setúbal.

...

Maside, Rui Maside. Tudo gente muito boa. Mas não deu certo. Fui uma das unhas, mas saí arranhado. Paciência. O Sporting era muito instável. Agora está melhor, nota-se [esta entrevista foi há três semanas, atenção].

Dos jogos em Portugal, lembra-se de quê?

Ah, de quase tudo. Não foram muitos [risos abafados; no total 20 jogos, 11 deles imbatido e 18 golos sofridos]. Começámos fora, lá em cima. Mato...

Leixões.

Sim, isso. 2-0. Depois, depois... [Puxa pela cabeça...]

Qual é o lance mais memorável?

Na terceira jornada, em Braga, defendi um penálti perto do fim [Kiki, aos 87 minutos, 0-0]. É o momento alto, além da invencibilidade de cinco jogos e meio. Quem me marcou o primeiro golo do campeonato foi um ex-sportinguista, Jordão [Vitória de Setúbal].

Depois saiu da baliza, entrou o Damas, seguiu-se o Vital, o Rodolfo voltou e dança continuou na segunda volta. Porquê?

Instabilidade emocional de um clube ligeiramente desorientado. Eu não me queixo, a minha vida era boa, a da minha família também, sobretudo a dos meus filhos na escola. Foram verdadeiramente tempos felizes e tranquilos entre Oeiras e Alvalade, mas a equipa falhou. O Pedro [Rocha, treinador] também saiu, veio o Manuel José. Tudo isto influi no rendimento das pessoas, dos jogadores. Dos adeptos, nem uma crítica. Apoiaram-nos sempre. Mesmo na rua. Sempre fui muito acarinhado.

E do presidente Sousa Cintra?

Bahhh...

As coisas não correram assim tão bem, pois não? Diz-se que ele foi a Montevideo com o Figger e você instalou-o num hotel fantasmagórico, longe de Montevideo...

Que situação, que drama, que filme! Não, nada disso. Há aí muito folclore [o tom de voz mantém-se, como de quem está a contar uma história de embalar]. Ele foi lá, de facto, porque me devia dinheiro, salários em atraso. Eu quis falar com ele sobre isso mas ele saiu do Uruguai sem me pagar. Só a direcção seguinte é que me pagou aquilo que o Sporting me devia e ainda tenho comigo a nota de pedido de desculpas pelo atraso. Foi uma situação inconcebível. Nunca pensei, mas já passou. Como é que eu ia fazer-lhe mal se só queria que ele me pagasse? Não vale a pena falar mais disso. Está pago e ultrapassado.

Do Sporting volta para o Brasil, é assim?

Portuguesa. Depois Bahia, onde acabei a carreira.

Não sem antes sofrer um golo de Ronaldo fenómeno.

Ah, esse golo... Toda a gente se lembra dele.

Da mesma forma que nos lembramos daquelas cinco defesas seguidas.

Sim, tens razão. Foi um golo caricato num dia para esquecer. Perdemos 6-0 em casa com o Cruzeiro e o puto [Ronaldo] marcou-me um golo daqueles... Defendi um remate e não o vi atrás de mim. Soltei a bola e ele aproveitou para aparecer nas minhas costas e marcar um golo. Incrível. Pronto, faço parte da vida dele, eheheh.

Antes de desligar, só mais uma pergunta. Porque é que nunca jogou um Mundial?

Era para o fazer no México-86. Era o capitão, mas lesionei-me no estágio. Primeiro apendicite, depois lesão muscular. Mas recuperei. Não dava para fazer o primeiro jogo, com a RFA, mas o resto sim.

Então?

Nesse 1-1 com a RFA, o Diego [Alves, suplente] defendeu muito.

É uma desilusão para si?

Sim, claro, mas nada a ver com a utilização do Diego ou de outro qualquer. Só queria uns minutos no Mundial, como todos. Paciência.

Ok, obrigado, Rodolfo. Boas férias.

Obrigado, igualmente [como é que ele sabia?].

 

In ionline.pt

Um metro e 91 de altura, 90 quilos. Um bigode mais intimidante que sei lá o quê e cara de mau. Se houvesse mais uma sequela do “Rocky”, este perfil podia perfeitamente adaptar-se ao adversário de Sylvester Stallone, mas não, é tão-somente o guarda-redes uruguaio Rodolfo Rodríguez. Lembra-se dele? É uma das unhas de Jorge Gonçalves. Para fazer esquecer o desastroso quarto lugar da época 1987-88, o presidente Jorge Gonçalves promove outra limpeza de balneário no Verão. Desta vez aterram em Alvalade nomes conceituados, como Rodolfo Rodríguez, mais os outros sul-americanos, Ricardo Rocha, defesa-central da selecção brasileira, Silas, outro titular da canarinha, e o “motor” Douglas, a par do portuguesíssimo Carlos Manuel, dispensado pelo Benfica e contratado ao Sion (Suíça), e o sueco Eskilsson. O treinador é Pedro Rocha, uruguaio como Rodríguez.

Começa a época e o Sporting não sofre golos nos primeiros 492 minutos do campeonato (pelo meio há o 4-2 ao Ajax para a Taça UEFA). Na baliza está Rodolfo Rodríguez a encher a baliza, mas depois o Sporting entra surpreendentemente (ou não...) em processo de autodestruição. Porque o nome de Pedro Rocha só surge depois de Manuel José ter sido vetado por dirigentes e um abaixo-assinado com 6 mil rubricas de sócios. Mas em Novembro, antes do Natal, portanto, o Sporting perde o contacto com o líder, o FC Porto, com uma derrota em Guimarães, golo de Silvinho, ex-Sporting! Três dias depois é afastado da Europa pela Real Sociedad do guarda-redes Arconada e do estratego Bakero. Mais uns quantos resultados negativos (Ac. Viseu 2-2, Marítimo 2-2, Farense 0-1, Belenenses 0-0, FC Porto 1-2) precipitam o adeus de Pedro Rocha. E o substituto é... Manuel José, o tal proscrito por sócios e dirigentes no início da época! Com o algarvio à frente da equipa nada muda e Rodríguez também não se impõe na baliza, entregue a três candidatos, entre o uruguaio, Damas e Vital.

 

Boa noite, é o Rodolfo Rodríguez?

Sim, sou eu. Falas de onde?

De Portugal.

Ah, muy bien. Estou nos EUA, de férias.

Mas podemos falar uns minutos?

Claro, mas primeiro faço eu as perguntas, ok?

Força!

O Sporting, como vai? Tenho estado pouco atento ao futebol em geral.

Está em terceiro lugar e joga este sábado com o FC Porto.

Ui, a sério? Bueno, bueno... Que tenga suerte.

O Rodolfo não jogou nenhum clássico, pois não?

Não, não fui abençoado a esse ponto. Lembro-me que perdemos os dois: 2-1 em Alvalade, 3-0 nas Antas. Fui suplente do Vital.

E o Damas?

Disso não me lembro. Mas devia. Era meu vizinho, e grande amigo. Nos treinos ajudou-me muito. Bolas, era o Damas! Todos conheciam o Damas. Era uma figura.

Se era assim uma figura, a sua transferência para o Sporting foi um risco?

Nãããão, soou mais a primeira e única experiência na Europa, depois de muitos anos no Uruguai e outros tantos no Brasil.

No Uruguai foi campeão de tudo, não foi? Até na selecção.

Foram anos emocionantes, inesquecíveis, porque era novíssimo e lidei com variadíssimas alegrias. Naquela altura era impensável ganhar aquilo tudo. Repara, fui campeão sul-americano sub-20 em 1975. Dois anos depois sou campeão uruguaio pelo Nacional Montevideo. Em 1980 sou campeão sul-americano e mundial de clubes.

Essa final da Taça Intercontinental foi com quem?

Nottingham Forest. O guarda-redes deles era o Peter Shilton, titular da Inglaterra. Mas nós ganhámos 1-0, golo de Victorino, o mesmo herói da final da Libertadores, com o Internacional de Porto Alegre. Era um equipazo, um grupo muy lindo.

Ficou lá até quando?

1984. Aí transferi-me para o Santos do Pelé... mas sem o Pelé [risos comedidos; a sua transferência vale 120 mil dólares, um valor altíssimo para a época]. Eles já andavam atrás de mim há algum tempo por aquela exibição no Uruguai-Brasil para o Mundialito-80. Ganhámos 2-1.

Não me vai dizer Victorino outra vez, pois não?

Bueno, tenho de ser sério, não é? [Forte gargalhada.] Foi ele mesmo que marcou o 2-1. O Sócrates marcou-me de penálti mas o Victorino desempatou e foi uma festa tremenda. Era o Mundialito, não era um particular qualquer.

O Mundialito?

Sim, uma prova organizada pela FIFA com todos os campeões do mundo. Só faltou à chamada a Inglaterra, substituída pela Holanda. Ganhámos à Holanda e à Itália e apurámo-nos para a final, em Montevideo. Lá, 2-1 ao Brasil.

Daí o interesse do Santos, dizia...

Calma. Em 1983 ganhámos a Copa América ao Brasil. Em casa, 2-0. Na Bahia, 1-1. Como se dizia lá no Brasil, eu fechei a baliza e o Santos interessou-se por mim.

Um uruguaio no Brasil, como foi?

Espectacular, glorioso. Fui campeão paulista no ano de estreia.

E aquela série de defesas que o notabilizaram como um dos quatro melhores jogadores de sempre do Santos?

Ahhhh, isso foi nesse Paulista, com o América de Rio Preto. Fiz cinco defesas consecutivas, sem sair do chão. Até sei o dia de cor e salteado: 14 de Julho, na Vila Belmiro [o avançado Tarcísio, do Américo, declara, estupefacto: Rodolfo é maior que a baliza].

Já voltou à Vila Belmiro depois disso?

Claro que sim. Há dois anos fui lá receber a primeira Defesa de Placa.

Espere aí, como no golo de placa inaugurado pelo Pelé?

Isso, isso. Aquela defesa com o América de Rio Preto valeu-me a Defesa de Placa. Além disso, fui eleito um dos quatro melhores jogadores de sempre do Santos, por votação popular [da fundação até 1950, Patuska; de 1951 a 1970, Pelé; de 1971 a 1990, Rodolfo Rodríguez; de 1990 até hoje, Robinho]. Estou exposto na estação de metro Santos-Imigrantes. É óptimo.

Do Santos para o Sporting porquê?

O Sporting estava interessado em montar uma equipa que contrariasse o domínio de Benfica e FC Porto e apoiou-se na escola sul-americana. Ainda por cima, todos os jogadores eram do mesmo empresário, o Juan Figger. Eu, o Ricardo Rocha, o Douglas e o Silas.

Como foi a chegada a Portugal?

É um país tão lindo e tranquilo... Dá gosto viver aí, mas aquelas estradas... Dios mío. Agora está muito melhor.

Já veio cá recentemente?

Sim, e estive com o Carlos Xavier. As boas amizades não se perdem.

Quantos amigos tem mais naquele balneário?

Lembro-me de Damas, Carlos Manuel, Morato, Oceano, Mário Jorge, Fernando Mendes, Paulinho Cascavel e aquele do Vitória de Setúbal.

...

Maside, Rui Maside. Tudo gente muito boa. Mas não deu certo. Fui uma das unhas, mas saí arranhado. Paciência. O Sporting era muito instável. Agora está melhor, nota-se [esta entrevista foi há três semanas, atenção].

Dos jogos em Portugal, lembra-se de quê?

Ah, de quase tudo. Não foram muitos [risos abafados; no total 20 jogos, 11 deles imbatido e 18 golos sofridos]. Começámos fora, lá em cima. Mato...

Leixões.

Sim, isso. 2-0. Depois, depois... [Puxa pela cabeça...]

Qual é o lance mais memorável?

Na terceira jornada, em Braga, defendi um penálti perto do fim [Kiki, aos 87 minutos, 0-0]. É o momento alto, além da invencibilidade de cinco jogos e meio. Quem me marcou o primeiro golo do campeonato foi um ex-sportinguista, Jordão [Vitória de Setúbal].

Depois saiu da baliza, entrou o Damas, seguiu-se o Vital, o Rodolfo voltou e dança continuou na segunda volta. Porquê?

Instabilidade emocional de um clube ligeiramente desorientado. Eu não me queixo, a minha vida era boa, a da minha família também, sobretudo a dos meus filhos na escola. Foram verdadeiramente tempos felizes e tranquilos entre Oeiras e Alvalade, mas a equipa falhou. O Pedro [Rocha, treinador] também saiu, veio o Manuel José. Tudo isto influi no rendimento das pessoas, dos jogadores. Dos adeptos, nem uma crítica. Apoiaram-nos sempre. Mesmo na rua. Sempre fui muito acarinhado.

E do presidente Sousa Cintra?

Bahhh...

As coisas não correram assim tão bem, pois não? Diz-se que ele foi a Montevideo com o Figger e você instalou-o num hotel fantasmagórico, longe de Montevideo...

Que situação, que drama, que filme! Não, nada disso. Há aí muito folclore [o tom de voz mantém-se, como de quem está a contar uma história de embalar]. Ele foi lá, de facto, porque me devia dinheiro, salários em atraso. Eu quis falar com ele sobre isso mas ele saiu do Uruguai sem me pagar. Só a direcção seguinte é que me pagou aquilo que o Sporting me devia e ainda tenho comigo a nota de pedido de desculpas pelo atraso. Foi uma situação inconcebível. Nunca pensei, mas já passou. Como é que eu ia fazer-lhe mal se só queria que ele me pagasse? Não vale a pena falar mais disso. Está pago e ultrapassado.

Do Sporting volta para o Brasil, é assim?

Portuguesa. Depois Bahia, onde acabei a carreira.

Não sem antes sofrer um golo de Ronaldo fenómeno.

Ah, esse golo... Toda a gente se lembra dele.

Da mesma forma que nos lembramos daquelas cinco defesas seguidas.

Sim, tens razão. Foi um golo caricato num dia para esquecer. Perdemos 6-0 em casa com o Cruzeiro e o puto [Ronaldo] marcou-me um golo daqueles... Defendi um remate e não o vi atrás de mim. Soltei a bola e ele aproveitou para aparecer nas minhas costas e marcar um golo. Incrível. Pronto, faço parte da vida dele, eheheh.

Antes de desligar, só mais uma pergunta. Porque é que nunca jogou um Mundial?

Era para o fazer no México-86. Era o capitão, mas lesionei-me no estágio. Primeiro apendicite, depois lesão muscular. Mas recuperei. Não dava para fazer o primeiro jogo, com a RFA, mas o resto sim.

Então?

Nesse 1-1 com a RFA, o Diego [Alves, suplente] defendeu muito.

É uma desilusão para si?

Sim, claro, mas nada a ver com a utilização do Diego ou de outro qualquer. Só queria uns minutos no Mundial, como todos. Paciência.

Ok, obrigado, Rodolfo. Boas férias.

Obrigado, igualmente [como é que ele sabia?].


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